| 75 Aniversrio - Discurso do Presidente do CD |
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75º ANIVERSÁRIO DO CCL – Sessão Solene
Discurso do Presidente do Conselho Diretivo – Dr. Luís Duarte
O CLUBE DE CAMPISMO DE LISBOA está em Festa!
Foi ainda em 1940, quando em Portugal e no resto da Europa se sofriam as consequências da II Guerra Mundial um grupo de cidadãos lisboetas, animados pelos mesmos ideais, lançaram um arrojado projecto associativo que veio a constituir-se em alicerce do Movimento Campista.
Contornando o espartilho com que o Estado Novo premiava os cidadãos mais inconformados e empreendedores, 21 Lisboetas, amantes do Campismo reuniram-se na sede do Ateneu Comercial de Lisboa em 11 de Janeiro de 1941, e lavraram em acta: …“a necessidade da organização de um Clube de Campismo que, junto das entidades oficiais, trabalhe pela divulgação do campismo, como desporto, procurando obter os maiores benefícios para os campistas”. E é aqui que nasce a História do CCL, fundindo-se, também, com o nascimento do Campismo Associativo Desportivo em Portugal. Julgamos pois, oportuno recordar os traços mais marcantes do percurso histórico do nosso Clube Ainda no ano de 1941 o Clube Nacional de Campismo organiza o seu 1º acampamento na Quinta da Fronteira em Belas. No ano seguinte, - 1942 - a 29 de Junho realiza-se, já na primeira Sede do Clube, na Rua da Palma, 116-1º (Clube dos Caçadores) a 1ª reunião do Conselho Geral. Em 12 e 13 de Julho de 1943 realiza-se na Quinta de Santo António, em Rio de Mouro, um grande acampamento, integrado nas “Jornadas Desportivas” da iniciativa do “Diário de Notícias”. Em Julho desse mesmo ano (1943), monta-se a I Exposição Nacional de Campismo na Casa do Alentejo e mais tarde no Porto na Escola de Belas Artes. Em 1944 o Conselho de Propaganda do Clube Nacional de Campismo lança uma vasta campanha a que dá o nome de “mensagem campista” com vista à organização e unificação do movimento, que culminará em Julho com a realização simultânea em todo o país de uma série de acampamentos populares, em cujos “Fogos de Campo” à mesma hora, era lida a “mensagem” convidando a juventude campista à Alegria, ao Companheirismo, à Solidariedade e fazendo votos pela paz no mundo, então ensanguentado pela II Guerra Mundial, que só findaria no ano seguinte. Ainda em 1944, (Dezembro) obtém-se a cedência do Forte do Guincho onde é instalada a primeira “casa-abrigo” do Clube. Em 1945 a 6 de Fevereiro, é fundada a Federação Portuguesa de Campismo, sendo o Clube Nacional de Campismo o seu sócio fundador, juntamente com outros onze Clubes e tornando-se, o nº 1. (que temos o grato prazer de ter connosco alguns desses Clubes pioneiros - Clube de Campismo de Setúbal - Ateneu de Coimbra - Clube de Campismo do Porto - Clube Oriental de Lisboa Em 9 de Abril de 1945 por despacho ministerial, o Clube Nacional de Campismo transforma-se em Associação de Campismo de Lisboa. É criada a “Comissão de estudos para a reorganização do Movimento Campista”, por iniciativa da Associação de Campismo de Lisboa e de várias outras Associações de campismo, composta por alguns campistas do Movimento. Em 8 de Fevereiro de 1947, por sugestão da Associação de Campismo de Lisboa, a Direcção Geral de Educação Física, Desportos e Saúde Escolar nomeia uma nova Comissão Administrativa para a Federação Portuguesa de Campismo, com o objetivo de remodelar a orgânica do campismo. Essa comissão estabelece as bases dessa remodelação extinguindo as Associações Regionais para dar lugar a clubes, dos quais o primeiro que se constituiu foi o nosso clube, o CLUBE DE CAMPISMO DE LISBOA (CCL) Em 3 de Março de 1947, o Clube de Campismo de Lisboa passou a ter a sua sede na Rua Rodrigues Sampaio, 78 - 2º. Nessa data atingiam-se 60 associados. Em 7 de Maio de 1947 organiza a sua primeira Assembleia Geral, na sede da Associação Cristã da Mocidade (ACM) no Triângulo Vermelho e foi presidida por Carlos Mendonça Freire, (autor da letra da “Marcha dos Companheiros”, hino do Movimento Campista, cuja música é da autoria do Maestro Fernando Lopes Graça), desempenhou o lugar de Presidente da Assembleia Geral do nosso clube, onde foi aprovada a constituição do clube desde 11 de Janeiro desse ano e discutido, votado e aprovado o seu estatuto tendo vindo a ser aprovado superiormente pelo Governo Civil de Lisboa em 21 de Abril de 1948 por Alvará nº 11. Em 17 de Junho de 1947 são aprovados os projectos do emblema e galhardete do CCL, da autoria de Ludovino Monteiro. Constitui-se também nessa data, o 1º Conselho de Equipas. Em 17 de Abril de 1948, o CCL organiza um Acampamento da Primavera, na Quinta do Junqueiro em Carcavelos. Em Março de 1948 é distribuído o 1º número do Boletim Companheiros. 1948 é promovido o ressurgimento do Coral Campista 1948 Abre curso de francês (com 100 inscrições) para prepara participação no congresso do Campismo em França. Em Agosto/Setembro de 1948, funciona pela primeira vez um campo de férias para sócios, na Quinta do Junqueiro em Carcavelos, onde pela primeira vez é eleita “Miss Camping” cabendo essa honra à companheira Julieta Martins. Em 2 de Outubro de 1948 realiza-se o 1º acampamento de Outono também na Quinta do Junqueiro, em Carcavelos. Em 26 de Junho de 1949 é inaugurado, na Quinta de S. Gonçalo em Carcavelos, o 1º parque de campismo do CCL e do país, que passou a albergar tanto campistas nacionais como estrangeiros. Em 25 de Outubro de 1949, o CCL passa a ter a sua sede na Rua da Misericórdia, 137 - 2º em Lisboa. Em 21 de Janeiro de 1951, são inauguradas as “casas abrigo” (modo de fazer campismo no Inverno), do Moinho do Penedo e Mata dos Cedros, ambas cedidas pela Câmara Municipal de Lisboa. Em 17 de Junho de 1952 é inaugurado o parque da Costa de Caparica, através de cedência de um pedaço de mata nacional (devido às diligências do nosso sócio francisco Lyon de Castro). Em Agosto de 1953, realiza-se o 1º Rali do Sol, no nosso parque da Costa de Caparica, a maior manifestação de Campismo em Portugal (com a presença de + de 350 campistas nacionais e estrangeiros). Em Novembro de 1953 é inaugurada a “casa abrigo” do parque de S. Gonçalo. Atinge-se, no fim de 1959, 873 associados. Nesse mesmo ano, são criadas neste parque 2 classes de ginástica, orientadas pelo professor João Gonçalves Mariano (que foi sócio número 1 do CCL). Em 24 de Maio de 1969 é inaugurado o parque de Almornos, e nessa mesma data é entregue o primeiro emblema de ouro do Clube ao Companheiro José Barreira. Em Janeiro de 1970 é oferecido ao clube pelo seu proprietário, Dr. Luís António dos Santos, um terreno com 75.000 m2 no Algarve, próximo de Portimão (onde actualmente funciona o nosso parque de Ferragudo). Em 1971 O clube atingia 9.500 associados. Em 25 de Abril de 1974 no Boletim Companheiros nº 64, no seu editorial, pode ler-se: “Liberdade: Liberdade de reunir os amigos, de confraternizar, de debater os nossos problemas. Liberdade de reivindicar o nosso contexto turístico do país, como organismo promotor de CAMPISMO E DE TURISMO POPULAR OU SOCIAL”. Em Dezembro de 1974 é cedido ao nosso clube pela Direção-Geral dos Serviços Florestais uma faixa de terreno; junto à Praia da Saúde, entre os parques de campismo, que se denominará de parque da Costa Nova. Em 25 de Agosto de 1976, é cedido oficialmente ao CCL o Forte do Abano, no Guincho. No final de 1976 o CCL atinge 18.950 associados. Em 1977, inicia-se o plano de negociações para a aquisição do Parque de Melides, Concelho de Grândola. Em 1977 é concedido o galardão de Grau Prata de Mérito Turístico ao CCL pelo Secretário de Estado de Turismo. Em 1977 o boletim “Companheiros” obtém Medalha de Prata com Menção Especial na Exposição do C.C.P. Em 1978 o CLUBE DE CAMPISMO DE LISBOA é considerado Pessoa Colectiva de Utilidade Pública. Em 1978 é inaugurado o Parque da Costa Nova, através da organização dum Acampamento de Juventude do CCL, de âmbito Nacional. Em 5 de Julho de 1980 é inaugurado o Parque de Melides. Em 2003, o CCL inicia a concessão do parque municipal de Campismo do Gameiro em Mora, integrado no parque Ecológico onde se situa o Fluviário de Mora. Igualmente em 2009, o CCL conseguiu a realização de um sonho acalentado há mais de quatro décadas. Por cedência de um edifício, com a dignidade que o Clube merece, pela Câmara Municipal de Lisboa cujo feito em muito se deve ao seu Presidente de então, Dr. António Costa. Em 2010, o CCL inicia a concessão do parque Municipal de Campismo de Campo Maior. Em setembro de 2013, é inaugurada a Sede Social, Desportiva e Cultural, pelo Dr. António Costa que tece rasgados elogios pelo cuidado empregue, na preservação da identidade do edifício dando uma particular brilho e dignudade a uma das mais importantes entradas da Cidade de Lisboa. Seguindo o exemplo desses homens e mulheres que a passos curtos mas firmes, tiveram o engenho e a arte para edificar um movimento que mobilizou muitas vontades no sentido de criar estruturas que, respeitando os valores ecológicos e da natureza, permitiu lançar as bases para a prática de Acampamentos e do Desporto Popular que ainda hoje, defendemos. Foi no seio deste Movimento, que se foi reforçando o Associativismo Popular organizado que apesar do controlo do Estado e das perseguições a muitos dos seus dirigentes, nunca se vergou ao Estado Novo e fez o seu caminho fazendo escola de homens e mulheres de referência, no Desporto, na Cultura e nas Artes. Durante estes anos o Movimento Campista cresceu e com ele desenvolveram-se regulamentos e até “mandamentos”. Conseguiu-se o seu enquadramento na ordem jurídica do País e serviu de suporte a tantas famílias que, pelos fracos recursos não teriam alternativas tão confiáveis, para a prática desportiva ou seu lazer ao ar livre. O Campismo é uma actividade saudável, ecologicamente recomendável, que respeita os valores da natureza, mas também do Humanismo, onde se cultiva o Companheirismo e a Solidariedade Fraterna. Também a solidez do Movimento está hoje aqui demonstrada, com a presença de tantos convidados e amigos que saudamos com um abraço fraterno. Apraz-nos, igualmente, registar a presença solidária de tantas Autarquias nesta sessão, que pretendemos solene, o que é testemunho das melhores relações institucionais que cultivamos e desejamos reforçar. Também uma referência aos nossos Companheiros Seniores. É também em ambiente associativo que queremos empreender estruturas sociais que, apoiados em políticas comunitárias, possamos enquadrar o princípio do envelhecimento activo, também na área Associativa. Na nossa Atividade Associativa e Desportiva registamos, com admiração, o empenhamento e entrega de tantos jovens que, com o seu espírito crítico e empreendedor, tanto nos têm estimulado no nosso trabalho do dia-a-dia. São também o penhor de que o futuro está assegurado com a renovação do quadro de Dirigentes e a modernização das estruturas associativas. É neste quadro que, com dedicação, sentido de responsabilidade e grande confiança, encaramos o futuro. Contamos com a amizade e a solidariedade fraterna de tantos amigos, alguns aqui presentes, outros ausentes, mas seguramente connosco, nos bons e maus momentos para que o nosso CCL continue a ser uma referência no Movimento Associativo Desportivo Campista, rumo ao futuro, num contexto Desportivo e também Sociológico contribuindo assim decisivamente para uma sociedade mais justa, Fraterna e Solidária. Numa perspectiva sociológica, o Campismo, sendo uma prática antiquíssima, decorrente das necessidades da vida nómada pode ser, igualmente, a ferramenta utilizada por outros sectores da sociedade, como por exemplo, os militares, os caçadores ou outros amantes a natureza. No entanto, podemos afirmar que o Campismo é a satisfação do indivíduo, consequência de uma mentalidade própria. O humanismo do campista pela procura constante do reencontro com a natureza, faz estudá-la, numa convivência integrada, em detrimento da mentira e da hipocrisia. O Campismo possibilita o conhecimento de outros seres humanos, outras culturas, outros usos e costumes, bem como outros aspetos da natureza. A filosofia inerente à prática do Campismo assenta nos Nobres ideais da: LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE que é, nada mais do que o lema da Revolução Francesa em 1789 com a tomada da Bastilha Está em Festa porque, sendo o Clube pioneiro do Campismo, gerou novos Clubes para o Movimento Associativo e, durante mais de meio século, desenvolveu o conceito de Campismo, não só no âmbito desportivo mas complementando-o também, como aperfeiçoamento físico, moral e intelectual. Está em Festa pela devida homenagem e reconhecimento aos antigos Dirigentes que, paulatinamente mas com muita determinação, desenvolveram os fins do CCL. Está em Festa porque os Clubes Irmãos, com a gentileza da sua presença, são o testemunho da solidariedade viva e fraterna, mas igualmente determinada e firme, nas lutas pelos grandes objetivos do Movimento Associativo Desportivo Campista. Está em Festa pelo reconhecido exemplo dado pelos seus Orgãos Sociais, na cooperação leal e fraterna, na interação e na complementaridade entre Órgãos que, através do respeito pela esfera de competências de cada um, tem potenciado e melhorado a gestão do nosso Clube. Está em Festa por poder contar com Sócios que, através da prática de salutares actividades e da nobreza da sua disponibilidade, integram Comissões de Apoio ao Conselho Diretivo nos parques do Clube, bem como grupos de sócios que, através da sua singular iniciativa, com uma exemplar dedicação e permanente disponibilidade e, igualmente, dão corpo a todas as Secções Culturais, Desportivas e Recreativas do CCL, engrandecendo o seu património humano, constituindo uma Rede Colaborativa de Excelência. Está em Festa por ter, no seu seio, sócios que hoje recebem o Emblema de Ouro e respetivo Diploma, correspondente a 50 anos de filiação ininterrupta e que constituem o inestimável património afetivo do CCL. Está em Festa porque sente orgulho do seu quadro de profissionais de eleição, que souberam apreender a cultura associativa e, simultaneamente, a par da sua evolução na carreira profissional, vêm marcando o seu desempenho com uma dedicação humanista que, reconhecemos e estimulamos. Está em Festa porque, com mais de 80.000 Associados, promove a prática do Campismo e possui sete parques de campismo num verdadeiro ecletismo territorial. Caros Convidados, Prezados Companheiros! Para quem não possui uma verdadeira perspectiva sobre a dimensão do Campismo, importa salientar que, Numa perspectiva sociológica, o Campismo, sendo uma prática antiquíssima, decorrente das necessidades da vida nómada pode ser, igualmente, a ferramenta utilizada por outros sectores da sociedade, como por exemplo, os militares, os caçadores ou outros amantes a natureza. No entanto, podemos afirmar que o Campismo é a satisfação do indivíduo, consequência de uma mentalidade própria. O humanismo do campista pela procura constante do reencontro com a natureza, faz estudá-la, numa convivência integrada, em detrimento da mentira e da hipocrisia. O Campismo possibilita o conhecimento de outros seres humanos, outras culturas, outros usos e costumes, bem como outros aspetos da natureza. O Campismo atravessa transversalmente a Sociedade Portuguesa, quer em extratos sociais, quer em escalões etários. A importância da vertente Social do Campismo vem desde o início da segunda metade do Século XX, quando se dá a luta pela obtenção da “semana inglesa”, através de uma tomada de posição no II Congresso Campista em 1948 sob o lema Trabalho e Repouso – “Fim-de-semana para todos” – com um movimento junto da Direção geral da Educação Física, Desportos e Saúde cujo despacho diz: não vejo dúvidas em autorizar o que se pede. (ler recorte da revista Campismo) Já numa perspectiva desportiva, do Campismo o seu fomento permite alcançar, com relativa facilidade, objectivos educativos, recreativos, e de salutar convivência humana. O Campismo poderá ser considerado, a par da ginástica e da natação, como verdadeiro fomentador de massas, proporcionando aos seus praticantes a saída do seu ambiente de residência, possibilitando-lhes uma mais perfeita realização, enquanto seres humanos, numa ótica do DESPORTO PARA TODOS. O Campismo possui, não só a virtualidade de ser menos exigente e mais moderado nos exercícios, mas também a vantagem de, no seu seio, se poder praticar os outros dois desportos atrás descritos. O Campismo, enquanto atividade plena de complexidade e de beleza, multidisciplinar e multifacetada nas suas virtualidades, alia • Convívio a Desporto; • Cultura a Turismo; • Descoberta a Aventura, • Simplicidade a Pureza • e Ser Humano a Natureza.
O Campismo assume-se, deste modo, como um verdadeiro embaixador da educação ambiental e, através da sua ética e filosofia próprias contribui, decisivamente, para o enriquecimento do Ser Humano.
Uma palavra de particular Gratidão aos Órgãos Sociais que nos têm ajudado numa gestão criteriosa do maior Clube de Campismo Nacional e, em particular, aos Presidentes dos Órgãos – Mesa da Assembleia Geral, Conselho Fiscal e Conselho Jurisdicional e de Disciplina. Uma referência, igualmente plena de Amizade e Gratidão aos meus colegas do Conselho Diretivo que, numa singular “maneira de estar” e pensamento plural, me têm sabido aconselhar com mestria e sensatez. O conceito de Solidariedade, no âmbito dos Clubes de Campismo, não é palavra vã. Por tudo isso, VIVA O MOVIMENTO ASSOCIATIVO DESPORTIVO CAMPISTA! O CCL ESTÁ EM FESTA! PARABÉNS AO CCL! 16 Janeiro 2016 Câmara Municipal de Lisboa - Paços do Concelho |















